terça-feira, 27 de maio de 2014

.

É possível torna-se tão completa e querer ir ao início novamente ?
Existe algum meio de retroceder ?
Forma-se um, como deve ser;
De todos os modos e ditos,
Torna-se um :
O querer e o ser.
Retroceder.
O que queria sou, e o que sou, quero ?
Eis que algo me deixou no tempo;
Fui esquecida
De tanto trabalhar para o que sou
Deixei de ser.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Afinal, vulgar é julgar ..

Julgar ; "vtd 1:  Decidir, resolver como juiz ou como árbitro, lavrar ou pronunciar sentenças."                          ( Dicionário Michaelis)


"A saia tá curta demais" " o decote muito grande" "é crente" " é macumbeiro" "é preto" " é bicha" ..
Simples seria fazer uma análise psicológica sobre o por quê que julgar tornou-se uma diversão.
Afinal, é fácil olhar nos outros o que pode ser motivo de escárnio. Difícil mesmo, é olhar pra dentro e admitir que não somos perfeitos. (Dói, não é ?)
 Fácil também é rotular. Difícil, é estar de bem consigo mesmo ao ponto de olhar para o outro além da aparência dele.
Fácil também, é ser radical e gritar : "EU SOU FEMINISTA, EU SOU BRASILEIRO, EU SOU NEGRO, EU SOU GAY, EU SOU HOMEM , EU.. EU.. EU.. EU.."
Difícil ? O que é realmente difícil, é dizer a si " Eu sou branco e tenho orgulho dos negros" , " Eu sou mulher e creio que minha colega deve se vestir do jeito que se sinta bem.." " Sou heterossexual, mas lutarei por uma sociedade menos violenta aos que se declaram homossexuais .."

" Amarás o teu próximo como a ti mesmo." 
Quem foi que disse esta magnífica frase? Freud ? Sartre ? Rousseau ? Parece-me que Jesus , em Mateus 22:39 (Bíblia Sagrada) . Mas, não é o que me parece quando eu vejo que tanta gente que "acredita e segue" as palavras deste livro em que a frase está escrita, julgando o próximo e não amando. Contraditório, não ?
 (Deixo aqui, somente uma reflexão. Não entrarei (no momento) no quesito ético religioso individual.)

O Brasil entrou em manifesto, e os mesmos que pediam por melhoras na educação , continuavam generalizando os nordestinos de "Paraíba ou baiano", ou dando continuidade à atos de preconceitos regionais absurdos. Assim, como os nordestinos, também, mesmo pedindo melhoras na educação, ainda  persistem no  pensamento: " Meu filho tem que ser macho."
( Mas, não entrarei no quesito de preconceito regional, muito menos no racial, ou qualquer que seja. Ficando ai a segunda reflexão)

Para mim, a questão não está no julgamento em si. E sim, no que causa internamente aos que julgam, não aos que são julgados. Até pelo fato de, quando se está apto à julgar, automaticamente torna-se apto a ser julgado. ( O que, na maioria das vezes, o indivíduo não aceita).

Escrevo tudo isso, talvez, por uma questão de inconformidade com a inconformidade dos outros quanto aos outros.  Mas aí, não seria eu, uma julgadora dos julgadores ?
 Muito provavelmente sim,  até por que, assim como a mulher que usa um decote no umbigo, ou uma pessoa declara-se gay, consideram-se certos, os que julgam, também, consideram-se certos.
Então, como não posso criticar ninguém, para não virar hipócrita da minha própria crítica, criticarei à mim. E, sendo assim, crescerei e evoluirei, ao reconhecer o meu próprio erro de julgar à quem julga.

Ao concluir, percebo que, antes de querer mudar ao próximo, é necessário mudar à mim.
 E NÃO ERA ISSO QUE EU QUERIA DIZER DESDE O INÍCIO ?


P.S : Segue em links, respectivamente, um filme, um curta e uma música que me inspiram a amar e evitar julgar ao próximo ;

        http://www.youtube.com/watch?v=kRJwQg-oavc  (Filme - " O contador de histórias)

   http://damn.com/p/this-is-what-everyday-sexism-feels-like-to-a-man-must-watch/ (Curta metragem- " This is what everyday sexism feels like to a man must watch)
   
      http://www.youtube.com/watch?v=K-O2dG1A56c (Música - "Alucinação" Belchior, por Engenheiros do Hawaii)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Isto é um monólogo ou um diálogo ?



Há duas de mim, ou há somente uma que se contradiz a cada pensamento ? ..
"-VOCÊ PRECISA DORMIR."
- "PRECISA, MAS NÃO VAI."
A cama parecia-me um grande espaço vazio. Branco e vazio.
Não há silêncio interno. Havia, sim, duas vozes que não entravam em comum acordo.
- " ACABE LOGO COM ISSO, NOS FAÇA O FAVOR.."
- " ESPERE MAIS UM POUCO, NÃO DESISTA ASSIM.."
Seria clichê demais dizer que há um fantasma do  passado me tirando o sono ?
 Pergunto-me até hoje ; Onde errei neste ? Onde houve diferença ? Onde me perdi ?
Será esse, um texto de perguntas não respondidas ?
Em nada penso, só precisava jorrar. Comunicar ao mundo que falta cada coisa que você não fez, cada gesto que poderia ter feito, cada palavra que poderia ter dito. Pergunto-me se é difícil assim pra todo mundo..
Você quer algo e pode ter , mas algo te impede.
Reclamo comigo mesma.
O texto está sem ritmo, sem métrica, sem rumo..
- "Deixe que as palavras saíam, Nayara..*"
Sim, me referi à mim, por meu próprio nome, quase que uma tentativa frustrada de me policiar.
-"ONDE EU ERREI ?"
Talvez, nas palavras mal ditas não ditas. Ou nas ditas de modo mau ou de mau modo. Errei na ilusão da solidão. Errei, ao acreditar que seria fácil e que, de alguma maneira, algo mágico aconteceria.
- " DURMA !"
Só seria possível se esta mosca que não para de zunir em meu ouvido fosse embora.
- "FAÇA ELA IR EMBORA , JÁ !"
Meu dou conta do quão fraca e debilitada sou quanto à mim mesma. Doce ilusão de quase criança. Depois de tanto tempo e ainda não aprendi !
- " FAÇA O QUE SE DEVE FAZER.."
Eu tenho medo. Medo de admitir. Medo de falhar. Medo de mostrar-me frágil.

As horas passam, são quase 3:00 da manhã e nada está resolvido.
 - " DURMA !"
Exclamou uma das vozes..
- " CONCORDO QUE TERÁ DE DORMIR MENINA.."

E, mesmo sem sono, lembrei-me de Chico " Ouça um bom conselho,
                                                                    que eu lhe dou de graça :
                                                                     Inútil dormir, que a dor não passa..

Adormeci..


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Ensaio sobre a solidão humana. ( Parte 1)

     A solidão intrínseca na liberdade é o que rege o ser.
O indivíduo, por si só, é um projeto de solidão comunitária. Estamos todos sós, querendo ou não, dentro de nossa própria mente.
    A individualização que a atualidade nos trouxe, com tempos cada vez mais curtos, tarefas cada vez mais acumuladas e o egocentrismo já naturalmente humano, nos faz refletir se, o indivíduo é realmente capaz de involuir este estado.
    Uma semana no sertão foi necessária para a minha percepção quanto a solidão que alastra e definha por meio da depressão, pessoas e mais pessoas.
     A questão é o abandono, o descaso do maior para o menor. A dependência direta de um outro superior para a sobrevivência. A escassez é de água, de olhar e de vida.  Cansou-se de sofrer, e apenas, espera-se a morte, só, e sentado em uma cadeira na porta de casa. E clama-se, que venha sorrateira, sem causar tantos danos a quem, por anos lutou contra as leis naturais e agora, luta contra a solidão.
      Na abundância, há o mesmo. Tem-se tudo. Carros, festas, dinheiro e comida, mas principalmente, tem-se a solidão. Não há mais olho no olho, ou o indivíduo que se importe diretamente com o que se passa com o próximo que está ao chão, humilhando-se pelo que se é dito fundamental.
      Os ricos de material, são, infelizmente, os que mais se deixam crescer dentro do universo da solidão. Os anti depressivos de preços e consumo absurdos, são, o que pode-se chamar de refúgio contemporâneo.
      E já dizia o velho Tom, " Fundamental é mesmo o amor. É impossível ser feliz sozinho.." , qual amor é fundamental ? O de Deus para com o homem ? A fé ? a compaixão ? o amor de quem passa todos os dias por inúmeras pessoas e não observa se há um ser humano dentro das carcaças? Que tipo de amor é fundamental ? O eros ? o fraterno ? o amor próprio ?
      É muito fácil tornar-se invisível. É talvez, mais fácil tornar-se invisível que visível. Que tipo de ego nos leva a não ver o próximo ? 
      A nossa própria solidão aparenta-se tão angustiante dentro do que somos que é quase míope ver a solidão do próximo. Como acreditar na velha estória das borboletas que encontram o jardim mais bem cuidado ? Como iludir-se com tal beleza e ver, na vida real, tanta gente que não tem cinza em seu jardim, mas que, mesmo assim, continua na luta diária da solidão.
    Um dia, quiçá, alguns jardins desistirão de entender o que falta  e tornar-se-ão mais um, dentre todos. Mas, mesmo olhando de uma perspectiva de que esta visão é completamente pessimista, abro a janela e continuo vendo a luz do sol completar cada pedaço de meu jardim. E vejo, que este amor fundamental, é a união de todos os amores, tendo-o ou não tendo-o, ou até mesmo, alimentando a esperança de um dia ter o que falta.
      É exatamente pelo medo da solidão, que fecham-se os jardins para que ele fique individualmente mais bonito que o da casa ao lado, o que, acaba, por si só, tornando um jardim belo, mas, com um muro separando-o de seu semelhante.   
     O problema da solidão não é a falta de um próximo, é a falta da liberdade para deixar-se olhar o outro primeiramente, e assim, esperar ser olhado.

"A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo." Fernando Pessoa

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Vá parando por aí. Me respondi. 
O lugar mais perigoso do seu quarto
é um caderninho amarelo."

domingo, 2 de fevereiro de 2014

E desde quando, eu, (e quem sou eu ? ) sou alguém para escrever para alguém ?
Sou um nada, e aceitando que nada sou, torno-me tudo.
 Tudo o que sou, tudo o que tenho e tudo o que me pertenço.
A quem ei de pertencer senão à mim ?
Ao mundo, talvez. À vida.
Sendo quem sou, tudo, torno-me nada.

Tendo nas linhas e letras o maior refúgio, torno-me vãs palavras juntas.
Hão de fazer sentindo.
Para mim ? Vento.
Todas vãs.
Hão de fazer sentido.

Do amor e da dor, já provei um pouco.
Do amor à cachaça, já provei de muito.
Do amor ao vento, sou levada sempre.

E sendo eu, quem sou;
Um tudo, um nada, uma mudança,
Já mudei do inicio a cá.
Mas voltei à mim, afinal
Quem seria eu, senão o tudo e o nada ?